Leopoldina (Letícia Colin) é uma jovem culta, arquiduquesa austríaca, que recebeu de seu pai Francisco I uma educação esmerada. Sempre teve a consciência que como uma princesa se casaria com algum soberano que seu pai designasse. E foi durante o Congresso de Viena – conferência entre embaixadores das grandes potências para redesenhar o mapa político europeu, após a derrota de Napoleão – que o futuro da arquiduquesa começou a ser definido.

A novela estreia na quinta-feira, dia 23

Ela só tinha a preocupação de casar-se para não terminar seus dias em um convento. Nesse momento, representantes da Áustria e de Portugal entenderam que a aliança entre os dois países seria vantajosa para ambos e começaram a planejar o casamento de seus príncipes. Em meio às negociações, Leopoldina conheceu Dom Pedro (Caio Castro) por um retrato em um broche, e imediatamente se encantou com a beleza do futuro marido. O contrato de casamento entre a filha de Francisco I e o filho de D. João VI foi assinado em 1816.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, as aventuras amorosas de Dom Pedro dão o que falar. Parece que desta vez o jovem herdeiro está com a cabeça virada. Sua paixão avassaladora pela bailarina francesa Noèmie (Luisa Micheletti) causa desespero em seus pais e a iminência de uma desgraça na família. A jovem anuncia que está grávida do príncipe, e ele não pensa duas vezes em fugir com a amada, mesmo às vésperas da chegada de Leopoldina. Dom João (Léo Jaime) e Carlota (Debora Olivieri), casados desde muito jovens, vivem em desarmonia, com desavenças e diferenças irreconciliáveis. Carlota é mantida em prisão domiciliar pelo marido por ter mandado matar a esposa do amante. Depois de ser acusada pelo crime, Dom João usou do poder de rei para mantê-la longe da cadeia e estabeleceu que ela ficaria sobre a sua guarda. Conhecida pelos seus rompantes, ela vive às turras com Dom João. O estadista, enquanto cuida dos interesses políticos que a função lhe exige, jamais perde a oportunidade de saciar sua gulodice e saborear uma ou mais coxas de frango. E, entre as questões que precisa administrar, está o comportamento de Dom Pedro. Por ter chegado ao Brasil ainda criança, parece não ter nascido numa família real. É muito próximo do povo e cobiça todas as mulheres da cidade.

Após três meses de viagem, Leopoldina é recepcionada por toda a família real para a cerimônia de casamento com Dom Pedro no Rio de Janeiro. A população em polvorosa anseia pela chegada da princesa. Acostumada o frio europeu, Leopoldina (Letícia Colin) logo fica chocada com o calor, sem contar a presença de tantos escravos pela cidade. Ao mesmo tempo, é impactada por tamanha beleza ao se deparar com as paisagens do local. Já Dom Pedro (Caio Castro), que por pouco não abandonou a ideia de casar-se com ela para fugir com a amante, se apresenta com toda a pompa que o momento pede, após ter o plano interrompido por seus pais. “Leopoldina vem para o Brasil apaixonada por um homem que não conhece. Preparou-se para tocar piano porque sabia que o príncipe tinha esse gosto. Vai ser uma mulher importante na questão do Fico e da Independência do Brasil. Já Dom Pedro é um príncipe mulherengo, criado à vontade no Brasil. Teve uma educação menos formal do que a de Leopoldina e uma formação interessante. Era um músico maravilhoso, cantava, compunha e tocava vários instrumentos”, destaca a autora Thereza Falcão.

Para o ator Caio Castro, está sendo um desafio fazer um personagem que existiu de verdade. “Não temos registro de fotografia, na época não existia ainda, era tudo à base de pintura. Não tenho nenhuma e acho que ninguém tem uma referência física ou visual. Está a mercê da nossa criatividade, compreensão e interpretação dos fatos históricos fazer, dar vida e humanizar esses personagens, que até então só existem de pinturas e de registros nos livros. Estou encantado com Dom Pedro. Acho que o conheço mais do que ele se conhecia. Tentei ser fiel ao personagem, o máximo possível. Usei da fidelidade para achar uma poesia, uma pincelada de poema nesse personagem. Mas tem algumas coisas muito minhas. Quis deixar ele mais irreverente”, ressalta o ator.

Já a atriz Letícia Colin destaca o lado humano de Leopoldina. “Ela sofreu muito, mas foi feliz. Teve muitos filhos e se reinventou na vida. Mudou de ideia. É uma mulher muito aberta, amava os brasileiros e lutava por eles. Era caridosa, muito religiosa, uma mulher notável, que teve uma vida muito curta, mas muitas histórias para contar. Cruzou o oceano e se tornou mãe da nossa independência, da nossa liberdade. Amo a Leopoldina, o que conheço dela, as cartas, os filmes. Ela me emociona, me comove. Coloquei muito do meu humor, emprestei para ela um encantamento que acho que tenho da vida e temos em comum. Tem cenas que ela fica passada, chocada com a exuberância do Jardim Botânico, do litoral brasileiro. Tenho muito isso em relação à vida. Todo o amor que sinto por ela espero fazer com que as pessoas sintam também assistindo”, declara Letícia.