“Prefere ir de ônibus?”. É com essa saudação que os passageiros da Piorá Linhas Aéreas são recebidos assim que chegam ao guichê da companhia aérea, no aeroporto. E a frase, capaz de fazer até os piores publicitários do mercado revirarem os olhos, e que serve também como slogan da empresa, é motivo de orgulho para os seus donos. Também, pudera: o chamariz é apenas uma das muitas esquisitices que tornam a companhia completamente singular. Se pensou em frota de aviões, esqueça. A Piorá dispõe de apenas um. Finger – aquela ponte que liga o terminal do aeroporto ao avião para oferecer conforto e praticidade aos passageiros? A empresa não tem. Opções variadas de rotas internacionais? Também não. No cardápio dos voos, supostas delícias vendidas como apetitosos bem casados, por exemplo, são espertamente substituídas por restos de massa molhados com cachaça e açúcar. Para administrar o dia a dia dessa companhia completamente mambembe, é claro: administradores à altura.

Estréia Sexta, dia 26/Janeiro
 
Em ‘Brasil a Bordo’, seriado de autoria de Miguel Falabella e direção geral e artística de Cininha de Paula, o público acompanha o dia a dia da família Cavalcanti, dona da Piorá Linhas Aéreas, uma companhia de aviação falida que cruza os céus transportando tipos populares e excêntricos. No humorístico, o que torna singular a família protagonista e vira condição de entendimento entre parentes completamente disfuncionais, além do fato de serem donos da Piorá, é a boa dose de delírio que, acrescida à comédia anunciada pelas esquisitices e absurdos de cada um deles, permeia a relação entre todos.

Após inúmeras falcatruas nos negócios, Berna (Arlete Salles), a matriarca dos Cavalcanti, conseguiu afundar a Piorá. Pega ainda pela crise econômica do país e proibida, pela justiça, de voar, a família não teve dinheiro nem para concluir a reforma da casa. Restou a eles, além de desviar dos sacos de cimento que transformaram a mansão onde moravam em um grande canteiro de obras, aprender a contornar também a nova situação financeira. O vislumbre de alívio só surge quando o juiz responsável pelo caso da Piorá decide que a empresa pode voltar a funcionar. Mas a sentença carrega um detalhe: a empresa pode voltar a funcionar, desde que os funcionários também tenham participação no quadro diretor da companhia. A partir daí o choque de ideais entre os antigos e os novos administradores promete movimentar – e muito – as coisas.

Se, ao menos, as viagens seguissem tranquilas, “tudo bem”. Mas acrescente à lista dos piores serviços de todos os tempos situações desesperadoras, como um passageiro tendo um ataque cardíaco em pleno voo, uma promoção de casamento nos céus durante uma tempestade daquelas e um sequestro de voo liderado por um homem-bomba apaixonado. Tudo isso “controlado” por uma tripulação maluca, cujo comandante mais experiente pilota com o brevê vencido e todos os integrantes, além de terem sido reprovados no exame psicotécnico, não perdem uma só oportunidade para se dar bem. E aí: prefere ou não prefere ir de ônibus?

“Eu sempre acho que, na verdade, o que leva o seriado são as personagens. Elas é que contam a história. Os Cavalcanti são uma família disfuncional, em uma companhia disfuncional, em um país disfuncional, então é a comédia da loucura total”, diz Miguel Falabella. “‘Brasil a Bordo’ é muito doido e ao mesmo tempo muito engraçado. A gente não pode esquecer que se trata do humor do Miguel Falabella. É um humor crítico, de certa forma debochado, mas também familiar. E esse é um dos aspectos que considero mais interessantes de trabalhar com o Miguel: independentemente do universo no qual ele coloque a história, esse universo conta com a família, e essa família é o Brasil”, completa Cininha de Paula.

 

Foto: Berna (Arlete Salles) e Gonçalo (Luis Gustavo)