Além da cobertura especial da Operação Lava-Jato, que culminou essa semana na prisão de dois ex-governadores do Rio de Janeiro, o ‘Fantástico’ traz uma reportagem especial de Marcelo Canellas sobre um problema silencioso, que atinge muitos adolescentes no Brasil e no mundo. Ela vai mostrar que 20% dos jovens brasileiros se mutilam, um problema que já os afeta mais do que as drogas, e que o bullying nas escolas é um dos principais causadores desse problema.

O ‘Fantástico’ vai ao ar hoje, às 21h30

Tudo indica que a intenção dos adolescentes que se cortam é compensar uma dor emocional, de fundo psicológico, com a dor física. A última classificação internacional de doenças mentais da Organização Mundial de Saúde define automutilação como autolesão não suicida. Ou seja, o objetivo dos adolescentes não é se matar. Mas a doença pode estar associada a outros distúrbios psíquicos de fundo depressivo quando, aí sim, pode haver risco de vida. “Só um médico pode dizer qual a gravidade, se há risco de suicídio”, conta o repórter.

O Brasil não tem estatísticas oficiais, mas todos os estudos internacionais chegam ao mesmo número e indicam que 20% dos jovens sofrem desse mal. E é com esse número que os ambulatórios de adolescentes do Hospital das Clínicas de São Paulo e do Hospital Universitário de Brasília, visitados por Canellas para a reportagem, trabalham. A matéria revela ainda que o Sistema Único de Saúde brasileiro está despreparado para atender esse tipo de caso, mas que já existem projetos pilotos trabalhando em parceria com escolas de São Paulo, estudando como agir e evitar novos casos.

 

Marcelo Canellas, que trabalha na apuração dessa pauta desde julho, conta o que mais o impressionou durante a produção da reportagem. “Eu não tinha ideia do alcance desse problema. Tenho um filho adolescente, de 15 anos, e quando perguntei a ele se já tinha ouvido falar de alguém que se cortasse, ele disse: “claro, né pai!” Quase caí pra trás. A cada depoimento que eu ouvia, duas coisas me impressionavam: como esse assunto vive na sombra e é absolutamente desconhecido pelas famílias que, quando descobrem, são tomados de perplexidade intensa! E, o que é mais triste, como a rede de saúde pública está desaparelhada para lidar com uma questão tão grave. Creio que o grande mérito da reportagem será o de dar visibilidade a um tema que parece sempre estar oculto”, conta o repórter.

O ‘Fantástico’ lembra ainda de um caso que chocou o país e cujo julgamento terá início no próximo dia 28: o de Elise Matsunaga, assassina confessa do marido Marcos Matsunaga, herdeiro da família Yoki. Ela o matou e esquartejou em 2012 e é por esse crime que responderá. Por meio de depoimentos dos advogados de defesa e acusação, o programa conta detalhes do processo, como era a vida do casal, as brigas e traições do marido, tudo o que teria levado Elise a cometer o crime, além de detalhes do julgamento, que deve durar cinco dias e das estratégias de defesa e de acusação.

Ainda no programa, Sonia Bridi mostra a rotina das mulheres bolivianas que encaram luta livre vestidas com roupas tradicionais. Na Bolívia, a luta livre atrai centenas de espectadores interessados em acompanhar os duelos. Mas, ao invés de homens fortes e musculosos, quem sobe ao ringue são mulheres. As “cholas” ou “cholitas”, como são conhecidas as descendentes de indígenas que vestem roupas tradicionais– longas saias, chapéu de coco, tranças compridas –, participam de um espetáculo de cor e folclore que rapidamente se transforma num desfile de pancadaria. Com voadoras e pontapés acrobáticos, as “cholitas” capricham para dar um ar profissional às lutas, cujos desfechos podem ser encenados, mas o risco físico é real.

O nascimento de Enzo, um bebê tão cabeludo que ganhou o apelido de Panda e ficou conhecido na internet essa semana, motivou outra matéria do programa. Para contar curiosidades e tentar explicar por que alguns bebês nascem tão cabeludos, o ‘Fantástico’ entrevista médicos e grava com nenéns recém-nascidos de São Paulo e do Espírito Santo.