Para dizer a verdade, Halim nunca quis ter filhos. Apaixonado pela mulher, Zana e muito feliz com a vida de recém-casado, o imigrante libanês passaria o resto da vida ao lado dela. Na Manaus dos anos 1920, eles viveriam sozinhos e com todo o sobrado da Rua dos Barés para os dois. Mas ela tem personalidade forte, e quer formar uma família, ter filhos.

A minissérie tem estreia no canal internacional da Globo prevista para dia 10

Em pouco tempo, ela já é mãe dos gêmeos Omar e Yaqub. Segundo a nascer, aparentemente frágil, Omar é o preferido de Zana, que acaba se afastando de Yaqub. A disputa pelo amor da mãe é o primeiro ponto de discórdia entre os gêmeos, um ódio que corrói a família. Em negação, entretanto, a mãe repete que eles são idênticos e sonha com a reconciliação.

“Zana é uma mãe com todas as faculdades negativas e positivas que uma mãe pode ter. Mãe sente amor, ódio, ternura, carinho, afeto extremo e, ao mesmo tempo, repulsa. Todos esses sentimentos que muitas vezes as mães não admitem sentir, a Zana sente, sabe que sente e tenta lidar com eles da maneira mais corajosa possível”, observa Juliana Paes, que interpreta a personagem na sua fase adulta.

Para alcançar uma unidade entre a aparência das três atrizes, a equipe de caracterização da minissérie, liderada por Rubens Libório, desenvolveu uma rigorosa pesquisa acompanhada de perto pelo olhar de Luiz Fernando Carvalho, que primou pelo realismo, sempre a serviço da marcação da passagem de tempo na trama, que se desenvolve entre as décadas de 1920 e 1980. Eliane Giardini, por exemplo, usou próteses de látex e maquiagem especial para mostrar as marcas da idade na beleza da matriarca da família. Também foram utilizados recursos como a cor do cabelo, o penteado que mantém a franja e o arqueado das sobrancelhas.

“É incrível quando você atua em sagas que atravessam décadas e divide personagem com outros atores. Você fica tentando se ver nos colegas. Gabriella, Juliana e eu fomos pelo temperamento da Zana”, observa Eliane Giardini.

Ao contrário da esposa, Halim é um comerciante pacato com alma de poeta. Em pouco tempo, Halim se torna dono de um pequeno comércio de secos e molhados. Com bons amigos sempre dispostos a sessões de gamão regadas a doses de arak, ele está feliz. Mas com a chegada dos gêmeos, só tem a lamentar a mudança de Zana. Poucos anos depois, nasce Rânia, e com ela mais um problema – a concorrência entre as duas figuras femininas na casa. Só resta a Halim a resignação.

Ao longo dos anos, a caracterização do personagem tem poucas alterações, o que simboliza sua personalidade horizontal. Predominam peças de linho em tons claros, em cortes simples, usadas de maneira despojada por um homem de alma leve sob o calor sufocante de Manaus. “Curioso, porque eu penso no personagem e vejo um único Halim. Não vejo o Bruno, eu ou o Fagundes, mas um só homem”, conta Antonio Calloni, que vive o personagem na sua fase madura.

Em desalinho e sem voz diante da família que ele mesmo formou, Halim nunca desenvolve intimidade com os filhos. Ele sente ciúme da dedicação da esposa a Omar e se preocupa com as consequências do desprezo dela por Yaqub. Não tem força, entretanto, para enfrentar Zana.